poesia para vênus em câncer

vênus

Analiso minuciosamente a geografia deste nosso desencontro: outrora tão conexo e aqui neste momento deveras convexo e eu sigo na busca de consultar os astros as auroras e a atmosfera metafísica que nos rodeia. Já consultei cartas de tarô búzios e ciganas já busquei ler até a planta dos teus pés já que a leitura das palmas de tuas mãos nada me revelou. É parece mesmo que o cruzar de nossas calçadas fora mais um destes fenômenos intrínsecos aos anos bissextos e noites de super lua em escorpião ou a última quimera do fim dos mundos onde lá fora tudo explode e aqui dentro reina a paz e o calor de um fogo que não queima mas arde. Na verdade bem verdade meu peito de sal de frutas anseia uma pista de se e quando tua nascente desemboca em minha boca e no beijo do mar do meu prazer mesmo que seja pra depois como se derretesse ou como se fosse diluído e evaporasse apenas seguisse em perene fluidez pra nunca mais voltar que seja ar só pra minha poesia ter um pouco mais do que recordar aos pouquinhos numa rememória prazerosa e ao mesmo tempo dolorida que apesar de machucar eu vos digo: sempre valerá a pena correr o risco de um rabisco doloroso que descende de alquimias genuinamente sentidas com intensidade e calor mostro sempre com orgulho a cicatriz de ser assumidamente de quem sou. Minha.

aprendizagens II

aprendizagens

Do amor, assim como da vida e da morte não é possível qualquer certeza:
Buscamos de maneira insana nos cercarmos de seguranças sobre estes, desejando incessantemente encontrar um lugar confortável pra repousar nossas demandas, dúvidas e anseios. Assim como do amor, da vida e da morte ninguém escapa, não há também sossego nessa busca inútil e refutável de conforto e certezas.
Amor, vida e morte são como borboleta na flor
O cheiro da brisa do mar
Passarinho na janela
Por do sol cor de rosa e laranja
O mar deitado no colo do céu azul
É o braço em laço dentro de um carinhoso abraço
A única verdade possível pro amor
Pra vida e pra morte
É a entrega
(Feito pular de olho fechado num véu de cachoeira)
E esta só se faz
No caminho do incerto, pois certeza é demanda do ego
Já a entrega, entrega é coisa do coração.

coracional

coracional

A lua embaça a vista embaraça o que trago na pele quente que arde e transborda socorro do que trago em mim e muito que sou de ti transeunte passagem ausente que presente se faz no quanto para e estanca sem nunca ter sido sangria este rio que corre e corre sem pressa num tempo que lhe é só seu sem o qual não seria de um jeito que nunca é o mesmo estando sempre perene onde nasce e morre feito utopia de um velho comunista que dormiu guerrilheiro e acordou reaça ou budista e rechaça tudo que flui e sou.

enigma VIII

enigmas

Este teu corpo que cintilante ao sol se faz enquanto tua pele queima e arde e o azul que incendeia teu caminhar ao passo que teu corpo corta o vento feito uma faca afiada feito esta faca amolada que são teus alvos dentes cortando o tecido de uma manga espada e sua carne amarela doce e que nos enche os lábios de sabores odores e de um prazer sem fim assim como faz tua boca quando toma outro corpo nu feito fruto maduro colorido e tropical ao passo que cai ao solo árido úmido as chuvas de pitangas ensanguentando as calçadas e esse ar morno que nos turva a vista e que ainda assim nos enche os olhos e afaga o coração e de ar o pulmão que pulsa e essa força que nunca cessa feito o verão que toma emprestado o teu calor e que também jamais cessará.

anatomia daquilo que dói

coracional

Afronte o véu que te faz humano insano e frágil feito vidro em pedra. Se despeça da tua alma de pura luz e recebe tua corrosiva dor. Aceita quem tu és te perdes de ti se esvai com a corrente ensandecidamente pois depois de um segundo sem inspirar suspirar sussurrar quem tu és? já não és mais ninguém além do que carregas dentro deste peito febril. Como ser humano e não ser fétido? como ser humano e não ser grotesco? quando que no teu íntimo tu cheiras a desprezo. Não não não é bem assim vos digo: eu te desejo amor. Te desejo ardor. Te desejo querer bem. Mas aceita aceitas e recebas como taça de vinho tinto tua dor tua legítima e imperfeita crueldade onde a cada passo que dás cada faca que empenhas cada gota que escorre nada mais é que tua pequena morte e prazer, teu sombrio prazer que te faz legitimamente e assumidamente humano.

enigma VII

enigmas

de onde vem essa sinergia energia do eixo do mundo pião que rodando harmoniosamente no fluxo da contra mão encontra a paz num beijo bem aqui dentro do olho do furacão aqui de onde eu só consigo pedir baixinho que algum compasso seja caos que algum sentido ou sabor possa amargar mas tendo cá tais anseios por sorte frustrados eu só consigo deitar no berço do deleite dos teus abraços e contemplar teu sorriso e calor despida de qualquer receio ou pudor.

enigma VI

enigmas

Se o amor não é tudo – como dizem

o que fica, quando o amor vira

revira

desdobra

e se contorce?

O que fica quando nada mais existe

e só o amor insiste

como se isso fosse coisa pouca

e não sendo tudo

também não deixa de ser nada?

enigma V

enigmas

Pungente,
é como o gosto que sinto
tomando do meu próprio veneno
que pra você não passa de efeito placebo
quando se toma e não se sabe e nem se vê
Mas que pra mim é atroz e contundente.
Ardente,
feito o lume de um vulcão
não nasci pra ser sobejo
mas flori pra ser festejo
devaneio, palpitação!
coração que salta peito afora
paisagem em contemplação.

enigma IV

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enigmas

Na dúvida o risco
não me guardo, nem me privo
Apartas o discurso da prática
queres o contrário do que não diz
quando fazes esse silêncio
que faz o maior barulho dentro de mim
E eu me ponho pensando
nas coisas que esse teu silêncio não diz
e no quanto ele implora o que grita não querer
Quando pedires que eu fique
é porque já parti.