Author: katarinearaujo

ao capital

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aprendizagens

Você não sabe nada sobre as tardes que passei deitada em grama verde admirando as nuvens passearem pelo céu vertiginosamente azul. Não sabes o quão sublime é o bailar da copa das árvores na tua ausência. Não sabes o quanto dançam ao sabor do vento. Você nunca vai saber do sal do mar num mergulho durante uma tarde de terça-feira em dezembro, nem saberá a transcendência disso. Você nada sabe sobre receber o sol na […]

tdah

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aprendizagens

Fiquei aqui pensando no motivo pelo qual procrastino. Ora, procrastinar me soa um belo e sedutor de um trava língua ao qual eu não resisto. Esse enrolar até o céu da boca, essa palavra feminina que apesar de ser verbo não necessariamente indica ação, podendo ser simplesmente uma inclinação ao não fazer, ao contemplar o belo. A letra de uma música, um chamego na felina que pousa no parapeito da janela, a luz amarelo-âmbar do […]

segunda-feira de carnaval

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crônicas

Para Victor  Castelo Branco Dentro daquela casa era só alegria. Confete, serpentina e purpurina já  era a decoração inerente naquele ambiente há mais de um mês onde já se ouvia frevo, maracatu e afoxé desde setembro do ano anterior – afinal, o endereço era: Rua do Amparo, em Olinda. Sua chegada estava prevista para dali a duas semanas, mas parecia que o menino havia resolvido “queimar a largada”, afinal: “carnaval só acaba quando termina” – […]

catarse

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coracional

Com o findar e o raiar dos dias, toda sorte de sentimentos eu transformo em poesia. Dor, ódio, paixão e aversão, tudo tudo eu transmuto em ventania. Brisa leve, beijo doce, rancor e nó no peito, tudo é matéria prima pra virar uma emoção. Vem e me lances assim teu desprezo, não sabes a sorte que tenho ao receber de ti teu adeus. Vai virar letra bordada no papel, vai virar rima ou conto,vai encher […]

o bolo

crônicas

Ovos de galinha de “capoeira” fresquinhos. Peneira a farinha de trigo com cadenciado bailar de dedos. Uma chuva branca bem fininha deita-se sobre a bacia de bater bolo. Quebra os ovos e com a precisão de um cirurgião, ela separa gemas e claras. Leite, açúcar, frutas e vinho. Tudo no tempo certo e com rigorosa medida. A melhor hora pra ela é a de começar a bater a massa com a colher de pau enquanto […]

instante

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coracional

no instante no exato instante em que a flor desabrocha a terra já se perdeu da semente pra sempre  no instante naquele exato instante em que desemboca em águas salgadas no sopro de um instante o mar não mais será rio no instante no exato instante em que bate as asas no mesmo segundo em que repousam as pestanas o pássaro deixa de ser paisagem pra foto um passo e eu já não sou quem fui um rearranjo um […]

a chave

crônicas

Pousou a chave prateada delicadamente sobre o móvel de madeira clara, como quem intimamente contempla o seu tilintar adentrando o silencioso apartamento. Tocou com saudoso carinho aquele porta-retratos cuja moldura amarelada insistia em acumular poeira. Avistou brevemente os tímidos sorrisos de outrora que ali havia, questionando-se o quão tarde já estaria partindo. Ajustou seu pulso as alças das suas malas, neste momento as únicas que caminhariam ao seu lado. Como quem se debruça na beira […]

flor(irei)

coracional

eu gostaria de me despedir me despir desta carne morta que aqui está queria flor só florir te entregar rosas vermelhas sem espinho numa bandeja feito beijo de uma boca quente cheia de dentes brancos e bonitos tal qual mármore granito ou pedra que o valha dentes de te metem a boca com carinho e te trazem pra junto pra perto de verdade onde foi que te perdeste de mim? onde quando nossos caminhos se […]

fêmea

coracional

toma tua culpa fecunda do ventre que te pariu condição primeira de tua existência. mulher: nasceste sentenciada e condenada ao julgamento num jogo de cartas marcadas que grita na tua cara: culpada. carregas tua culpa e veja bem que agressiva e doce fúria é tua luta pelo simples fato de ser quem és. fêmea, esse sangue derramado essas feridas não curadas esses caminhos tortuosos e os espinhos que te ferem e que te talham a […]