Author: katarinearaujo

primavera visceral

visceral

Do lado esquerdo deste peito entre o seio transverso do pericárdio e o arco da aorta em movimentos involuntários explodem primaveras viscerais Bem aqui do lado esquerdo deste feito quase que por fisiológica necessidade sentimentos e palavras percorrem dentre os vasos onde de dentro transbordam e flutuam em espirais Aqui dentro neste entranhado peito mora uma poesia que já nasce anarquista: fêmea, divina, e marginal! Entre estas veias correm sem qualquer limiar ou pudor algo […]

a fuga e o deleite

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visceral

Ela pensava: Quem és tu? De onde vens e pra onde vais? Quais teus devaneios e desejos? Como podes me pedir tão pouco Como ao passo que me desconheces Podes penetrar tão profundo em meu mundo? A fuga, O olhar que se desencontra propositalmente Os cabelos que emolduram um olhar que se esconde Pelo receio da descoberta Da doce descoberta e do despertar Que imprime uma verdade que nada pede, Mas que tudo entrega É […]

causa e efeito

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visceral

Existo e insisto em querer fazer e ser poesia Na beira mar da maresia na linha tênue dos trópicos Eu existo e não mais do que por insistência, e por que não dizer por teimosia inspiro e tusso poesia Piso leve na areia que insiste em naufragar meus pés Piso e insisto em naufragar Piso e insisto em não ser diferente pois de outro modo não poderia ser De modo errante insisto e existo pois […]

profanas divindades

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visceral

Só para que eu escreva e me diga aqui muito honrosamente poeta um mundo ao meu redor se move Só para que eu tenha a ousadia de escrever e ainda mais ousada seja em chamar de poesia um véu luminoso de beleza se estira sobre o caos Só pra que eu possa me ressignificar poeta me pus a mistificar incongruências no fluxo da contramão e a contemplar divindades urbanas Exclusivamente para que eu me ponha […]

suave coisa nenhuma

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visceral

Quantos copos Quantos corpos Nesta mesa repousaram? Quantas dores Dissabores e amenidades Transitaram? Futebol Política Religião Ou a dor jubilosa de uma paixão? Sangria, desejo Aguardente, ou não Suor: o manto volátil do prazer E o gozo: a redenção do tesão Quantos corpos Quantos copos Nesta mesa repousaram? Quantos dela se apossaram e fizeram seus leitos de febris de devaneios Onde realidades mornas se findaram?

súbita desordem e caos

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visceral

Um frio e o plástico gosto de sangue que escorre pela garganta O mundo ao redor é o mesmo, mas aqui dentro, aqui dentro esse ruído ressoa e não estanca. O mundo ao redor é o mesmo, mas o súbito mudo de dois segundos cuja rota fora alterada por destino ou ocasião se perpetuará além do que há e sobretudo daquilo que nunca jamais será

translúcida

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visceral

Quanto mais me despedaço despetalo mais floresço. Quanto mais me desperdiço me recrio e reinvento [toda vez que eu me perco além de margens retilíneas das possibilidades prováveis é quando acabo me achando dentro do fundo da íris de um olhar alheio além mar.] Copo vazio cheio de ar transpareço translúcida aurora que ainda assim não consegue não ser mistério e num impulso magnético de cair: voar!