Author: katarinearaujo

faca

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quem te disse que tua tesoura teria força suficiente para cortar a leveza de minhas asas? . você não sabe quantas mil quantas mil vezes me despedacei feito pedra de gelo ao sol e me refiz feito maré que sobe ao sabor do vento . simplesmente para ser quem sou para planar o voo da minha história para ter as rédeas do meu umbigo . você não sabe quantos espinhos toquei quantas lágrimas sequei pra […]

abissal

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coracional

Das belezas óbvias É sabido: Nos cabe o contentamento De contemplar Até o fôlego nos faltar Das belezas não óbvias Destas nos cabem O precioso cuidado De buscar a jóia perdida A pérola em ostra dormida Do sol nascendo Da Lua cheia Do mar e da cachoeira É cabido o mergulho do olhar A falta do ar A fotografia Mas há beleza na trincheira No olho do furacão Na fúria do cotidiano Na alma vazia […]

instante

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coracional

Só neste precioso Preciso e exato instante Três poesias se perderam Aqui mesmo dentro de mim Me vieram à mente Poesias esparsas Mas que minhas mãos Não acompanharam a velocidade das palavras E o atropelo dos meus pensamentos Toda poesia é urgente Toda ela tem pressa E precisa ser bebida com sede Ser tomada a grandes goles Ser cuspida de uma só vez A poesia não perdoa Não pede nem espera Tão somente adentra Muito […]

milagres

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coracional

no amor assim como nos encontros entramos uns saímos outros o mar nunca é o mesmo no entanto permanece igual aquele mesmo mar daquele mesmo jeito com aquelas mesmas pedras lambidas pelo mesmo sol por mais que se busque tensionando recentes memórias (aleatoriedades transitórias) jamais serão os mesmos assim como aquele casal de .passarinhos. que permanecendo os .mesmos. jamais serão igUaiS enquanto o sol rompe o véu feitiço de engolirnoites inaugurando dias sob as mesmas […]

A primeira vez que amei

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crônicas

A primeira vez que amei. A primeira vez que amei talvez tenha sido na tenra (no sentido que conota delicadeza) infância. Havia uma janela e conversávamos longamente (sim, eu e ela: a janela). Tardes inteiras de grandiosas conversas naquele mundo infantil. Talvez houvesse algum dialeto específico, não lembro bem.   Mas ali na sala daquele iluminado apartamento de piso de madeira (amei também este piso de madeira como até hoje amo) aos seis ou sete […]

A Grande Beleza

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crônicas

Viver é uma beleza que dói. Dessas que de tamanha magnitude, saltam aos olhos e laceram o coração. Dessas grandes belezas que nos causam uma espécie de aflição por não conseguir dar conta de devorar com os olhos, feito paisagem exuberante e passageira. Mas a vida pede, requer e solicita sem gentilezas: coragem! É necessário o mergulho de cabeça, bem de lá do alto. Não há garantias. (…) Respirava em sono profundo. Em dado momento, […]

pra quem consegue olhar

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coracional

Onda do mar Sob sol das cinco e meia da manhã Esquenta e salga as pernas De quem transita em sua margem linear O sopro verde da hortelã Refrescante feito colírio Em iris resseca Ou chuva em piso rachado (Que faz subir aquela quase invisível poeira) Dente cravado Em pele de fruta tropical Açucara Feito flor de Açucena Acenando aos olhos de quem está atento Diante das pequenas sutilezas Abraço que é também mergulho Bordado […]

verter

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aprendizagens

teu maior defeito foi – ao teu ver – não verter qualquer defeito foi permanecer estancado sentado apalpando tua razão . tua maior mentira foi estar sempre coberto da tua intransigente verdade que só revela tua própria vaidade . o teu discurso é falho falido e por ser pouco polido aos berros e gritos envenena tuas veias engasgando teu perdão . o que ganhas com tanta verdade pouco defeito muita razão? . os gestos de […]

gume

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coracional

O ciúme dói feito alicate arrancando dente feito alfinete invadindo o dedo feito pavio queimando a pele fria enchendo de sangue “os zói” O ciúme esfria a espinha e corrói a sanidade embrulha o estômago feito presente de grego e o entrega de bandeja à senhora Dona Vaidade que perde o prumo, o destino e a linha O ciúme amarga a boca e a enche de palavras fustigadas por um copo de cólera e conscientemente […]