Author: katarinearaujo

A primeira vez que amei

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crônicas

A primeira vez que amei. A primeira vez que amei talvez tenha sido na tenra (no sentido que conota delicadeza) infância. Havia uma janela e conversávamos longamente (sim, eu e ela: a janela). Tardes inteiras de grandiosas conversas naquele mundo infantil. Talvez houvesse algum dialeto específico, não lembro bem.   Mas ali na sala daquele iluminado apartamento de piso de madeira (amei também este piso de madeira como até hoje amo) aos seis ou sete […]

A Grande Beleza

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crônicas

Viver é uma beleza que dói. Dessas que de tamanha magnitude, saltam aos olhos e laceram o coração. Dessas grandes belezas que nos causam uma espécie de aflição por não conseguir dar conta de devorar com os olhos, feito paisagem exuberante e passageira. Mas a vida pede, requer e solicita sem gentilezas: coragem! É necessário o mergulho de cabeça, bem de lá do alto. Não há garantias. (…) Respirava em sono profundo. Em dado momento, […]

pra quem consegue olhar

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coracional

Onda do mar Sob sol das cinco e meia da manhã Esquenta e salga as pernas De quem transita em sua margem linear O sopro verde da hortelã Refrescante feito colírio Em iris resseca Ou chuva em piso rachado (Que faz subir aquela quase invisível poeira) Dente cravado Em pele de fruta tropical Açucara Feito flor de Açucena Acenando aos olhos de quem está atento Diante das pequenas sutilezas Abraço que é também mergulho Bordado […]

verter

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aprendizagens

teu maior defeito foi – ao teu ver – não verter qualquer defeito foi permanecer estancado sentado apalpando tua razão . tua maior mentira foi estar sempre coberto da tua intransigente verdade que só revela tua própria vaidade . o teu discurso é falho falido e por ser pouco polido aos berros e gritos envenena tuas veias engasgando teu perdão . o que ganhas com tanta verdade pouco defeito muita razão? . os gestos de […]

gume

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coracional

O ciúme dói feito alicate arrancando dente feito alfinete invadindo o dedo feito pavio queimando a pele fria enchendo de sangue “os zói” O ciúme esfria a espinha e corrói a sanidade embrulha o estômago feito presente de grego e o entrega de bandeja à senhora Dona Vaidade que perde o prumo, o destino e a linha O ciúme amarga a boca e a enche de palavras fustigadas por um copo de cólera e conscientemente […]

coletivo coração

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coracional

  Para Rodrigo Édipo O teu olhar flecha Corta Penetra O vidro da janela Do coletivo em condução. O teu olhar parte Atravessa a ponte Sendo elo de ligação Entra a cidade em chamas E teu suburbano coração. O teu olhar cruza O sinal vermelho em brasa Feito sangue nas veias Onde parar Desacelerar Ou respirar É verdadeira transgressão. Teu pensamento permeia Sobre vias e travessias Ao passo que Segue na contramão Do fluxo da […]

emergir

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coracional

As minhas palavras vão me cortando, Penetrando transgredindo E tomando tudo, invadindo tudo. As minhas palavras São a barragem estourando Inundando toda a cidade. Essa cidade que já nem existe mais aos teus olhos Essa terra que submergiu toda de uma só vez. Inclusive, não me importa se te agrada o que eu digo. Não é desdém, simplesmente não me importa. Não é por você, nem por ninguém. Sempre foi por mim. As minhas palavras […]

vida

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crônicas

Eu tinha uma crônica dormindo acima da minha cabeça. Ela não só dormia, pairava. Ela comia, falava, perguntava as horas (várias vezes ao dia). Era mãe, vó e tia. Ela já com seus oitenta e poucos anos, só tinha suas lembranças e nada mais. Mas por muitas vezes, nem as lembranças ela tinha. O Alzheimer era seu mais fiel companheiro, corroendo seu valioso bem de família: o passado. Mas talvez, apenas talvez ela tenha descoberto […]

ponto

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coracional

Eu quero bordar minha alma Quero tecer cada fio cada linha cada contorno eu quero bordar de poesia. Eu quero riscar a minha pele Cada cicatriz e passo Toda textura Eu quero desenhar de poesia. Eu quero que o fio da navalha Que a face fria da tesoura toca Faça de minha alma moldura Retrato pleno e sereno de poesia. Eu quero criar uma melodia Um canto e encanto Que seja sopro e ritmo Da […]

aprendizagens III

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aprendizagens

Faca nos dentes sangue nos olhos veias quentes um abraço ardente: e está feita uma pequena grande revolução. Qual o teu extenso lugar no mundo onde descansa sorrateiramente teu grandioso ego? que te infla, te enche, e te deixa só mas tão só que nem contigo estás faca nos olhos sangue nos dentes. Abraça teus demônios os põe no colo, olha-os nos olhos e com profundo destemor canta uma canção cheia de cuidado e entre […]