A Grande Beleza

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crônicas
Viver é uma beleza que dói. Dessas que de tamanha magnitude, saltam aos olhos e laceram o coração. Dessas grandes belezas que nos causam uma espécie de aflição por não conseguir dar conta de devorar com os olhos, feito paisagem exuberante e passageira. Mas a vida pede, requer e solicita sem gentilezas: coragem! É necessário o mergulho de cabeça, bem de lá do alto. Não há garantias.
(…)
Respirava em sono profundo. Em dado momento, inspirou. Quem ao seu lado dormia, aguardava de modo inconsciente – automático e previsível – a sua expiração já compassada. Mas tal qual quem profundamente mergulha: ela não veio. Como quem bate pernas enquanto se afoga: buscava o ar que lhe faltou.
(De nada adiantou)
Como quem baila no leito de um sopro ou flecha águas frias e turvas: notou que bastava tocar os pés no chão. Já não era necessário respirar. Somos uma curva numa longa estrada. (A vida? Um sopro. E nós? Como disse Eduardo Galeano: “um mar de fogueirinhas”).

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