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coracional

As minhas palavras vão me cortando,
Penetrando transgredindo
E tomando tudo, invadindo tudo.
As minhas palavras
São a barragem estourando
Inundando toda a cidade.
Essa cidade que já nem existe mais aos teus olhos
Essa terra que submergiu toda de uma só vez.
Inclusive, não me importa se te agrada o que eu digo.
Não é desdém, simplesmente não me importa.
Não é por você, nem por ninguém.
Sempre foi por mim.
As minhas palavras são navalhas
E minha língua é afiada e contundente,
Minha palavra é instrumento perfuro-cortante.
Mas não se engane: quando fogem ou calam
Minhas palavras são veneno de poder ainda mais devastador,
Corroendo tudo que é vivo por dentro .
Esse hiato faz morada num peito transbordando o que dizer,
O que gritar.
Minhas palavras pedem bússola,
Balsa,
Margem,
Pedem terra firme,
Pedem cais.
Mas ora se não é de dentro do olho do furacão
Que a vida se renova,
Que renasce e se refaz?
Aos poucos minhas palavras vão tomando tudo
Vão invadindo tudo
E haja pé na porta
E haja ter o que e gritar
Num movimento de palavras livres
Que flutuavam bem aqui na minha testa
E eu não as conseguia tocá-las.
Minhas palavras cortam, mas não ferem.
Se eu as digo: minhas palavras curam.
São minha própria cura,
Meu veneno e meu antídoto,
Minha sanidade, minha loucura,
Meu querer bem e minha ternura.

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