primavera visceral

visceral

Do lado esquerdo deste peito
entre o seio transverso do pericárdio
e o arco da aorta
em movimentos involuntários
explodem primaveras viscerais

Bem aqui do lado esquerdo deste feito
quase que por fisiológica necessidade
sentimentos e palavras percorrem dentre os vasos
onde de dentro transbordam
e flutuam em espirais

Aqui dentro neste entranhado peito
mora uma poesia que já nasce anarquista: fêmea, divina, e marginal!
Entre estas veias correm sem qualquer limiar ou pudor
algo intenso místico e profundo sem qualquer governo
aqui onde explodem sentimentos e palavras venerais

Nas cavidades anatômicas deste pleito
nessas estranhas entranhas algo soa tão sereno
silenciar minhas palavras é tomar do meu próprio veneno:
é morrer aprisionando o que já nasce livre e pleno
aqui onde explodem primaveras viscerais!