a fuga e o deleite

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visceral

Ela pensava:
Quem és tu?
De onde vens e pra onde vais?
Quais teus devaneios e desejos?
Como podes me pedir tão pouco
Como ao passo que me desconheces
Podes penetrar tão profundo em meu mundo?

A fuga,
O olhar que se desencontra propositalmente
Os cabelos que emolduram um olhar que se esconde
Pelo receio da descoberta
Da doce descoberta e do despertar
Que imprime uma verdade que nada pede,
Mas que tudo entrega

É noite amarelo-âmbar nas sete colinas
É noite fria e rouge carmim
Mas é a noite que todos os deuses e deusas
se põe ao acaso do encontro
Aflitos, consoladores e não menos sedutores

Sabia que seus olhos falavam
Sabia também que ele lia olhares
E por tal motivo o jogo fugidio e ébrio se fazia
Pois sabia que aquele que lesse seus olhos
Em sua alma penetraria

E por isso fugia
Fugia pois ele lia
E porque o próprio jogo de fuga lhe satisfazia
Pois a revelação seria
Um golpe de faca em si mesma
tornando sua poesia moeda sem valor
sem mistério e sem ardor.

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